Bate-papo ambiental – TV Meio Ambiente

17 de maio de 2012

Assista parte do depoimento da catadora Terezinha Ferreira, presidente da Associação Simon Bolívar de Lajeado. Ela falou durante uma hora aos alunos do Ensino Médio do Colégio Santo Antônio em Estrela.

Imagens: Rodrigo Nascimento
rodrigon@informativo.com.br

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Meio Ambiente vai à Escola discutir reciclagem

16 de maio de 2012

 

Acompanhado da terceira edição de 2012, o suplemento Meio Ambiente na Escola do Jornal O Informativo do Vale investe na interação com o público leitor. Por meio do bate-papo ambiental, o tema discutido no caderno é levado para as turmas do Ensino Médio. Para falar de reciclagem, a presidente da Associação dos Catadores Simon Bolívar, Terezinha Ferreira (53), do Bairro Santo Antônio de Lajeado deu uma folga para o carreto e foi contar como é o dia de um profissional da reciclagem. O encontro ocorreu no Colégio Santo Antônio, na tarde de ontem, e mobilizou alunos e professores.

Terezinha foi a figura central da edição de maio do Meio Ambiente na Escola. Ela conta como é viver da reciclagem e ensina a fazer do lixo o luxo, motivo de orgulho e consciência ecológica. “Isso é o futuro, preservar o meio ambiente é a permanência da vida na Terra”, explica. Para uma plateia mais letrada que ela, a catadora falou e encantou, por mais de uma hora. “Ouvindo de maneira tão simples que gestos do dia a dia podem mudar a atitude das pessoas, eu acredito que a consciência dos nossos alunos também deva mudar”, diz Ângela Lenz, professora de biologia. Para ela, levar para dentro da sala um exemplo vivo da notícia faz a diferença. “Tudo aquilo que toca o coração é capaz de mudar o mundo. Essa visita fantástica tocou nosso coração. O Informativo está de parabéns.”

Os alunos participaram questionando a forma como a associação trabalha, o tipo de material que é reciclado e se surpreenderam ao saber quanto se ganha com a reciclagem. O grupo de Teresinha recolhe em média, a cada três meses, 600 quilos de materiais, que rendem, para cada membro da associação, cerca de R$ 40. “É para ver a alegria de alguns que só tem essa fonte de renda”, reforça a presidente.

O projeto Meio Ambiente na Escola é uma iniciativa do Jornal O Informativo do Vale com o apoio da Conpasul, Corsan, Univates, Postos Charrua, Faros, HS Contabilidade, Lojas Certel, Folhito e Prefeitura Municipal de Lajeado.

Rodrigo Nascimento
rodrigon@informativo.com.br

 

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Nossa Capa

14 de maio de 2012

Já está nas bancas e na edição de hoje do Jornal O Informativo do Vale

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MURAL – Meio Ambiente na Escola

14 de maio de 2012

PATRULHA

O Colégio Bom Jesus São Miguel, de Arroio do Meio, está atento à postura de cidadão que se preocupa com o meio ambiente. Os aluno participaram de uma ação de limpeza e arborização de um espaço abandonado nas imediações do educandário. O local, depois de limpo, recebeu 18 árvores de espécies nativas, plantadas pelos alunos. Os tipos escolhidos para o plantio foram: sibipiruna, canela-sassafrás e pau-ferro.

Cada série formou uma “patrulha do meio ambiente” assumindo o plantio e o monitoramento das mudas. Cada “futura árvore” recebeu uma placa com o nome da espécie, além da designação da turma responsável e da data do plantio. Quinzenalmente, os alunos vão até o local para se certificar do correto crescimento das plantas.

A atividade envolveu alunos da Educação Infantil até a 3ª série do Ensino Médio.


RECICLAGEM

A Escola Estadual de Ensino Médio Santa Clara, de Santa Clara, desenvolve há sete anos o Projeto de Reciclagem de Materiais reaproveitáveis, despertando a consciência para a Ecologia. Ao longo do ano,  os estudantes separam, em casa, latinhas de refrigerante e de cerveja, garrafas PET, papel, papelão, revistas e jornais e levam para o colégio. De acordo com a quantidade, a criança recebe cautelas e concorre a prêmios ao longo do ano, inclusive ao sorteio de viagens ao Parque Aquático, a qual ocorrerá no último dia de aula. A cada 15 ou 20 dias, esses materiais são vendidos para empresas de reciclagem. O valor é depositado na conta do CPM da escola e são feitos investimentos e melhorias que beneficiam o próprio estudante.

HORTA

A Escola Estadual de Ensino Fundamental de Itaipava Ramos, de Cruzeiro do Sul, conta com o Projeto Horta. A atividade tem como objetivo envolver os alunos no plantio de legumes e verduras que, após colhidos, são utilizados na merenda escolar. Estão envolvidos todos os professores e estudantes, além da direção.

O cantinho dedicado ao cultivo das sementes foi especialmente criado para o Projeto Horta e supre a demanda do lanche dos alunos durante todo o período letivo.


Edmar Gomes
edmar@informativo.com.br

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Concurso de Poesias: Regulamento disponível

14 de maio de 2012

Já estão disponíveis no blog do Meio Ambiente na Escola o regulamento e a ficha de inscrição para o Concurso de Poesias de 2012. As escolas podem baixar o arquivo pelo meioambiente.informativo.com.br O intuito é incentivar atitudes ambientalmente corretas e sustentáveis também por meio da arte.

Cada aluno do Ensino Médio das escolas públicas e particulares do Vale do Taquari pode inscrever uma poesia baseada no tema “O Meio Ambiente e a Vida”. Os jurados farão a seleção da melhor poesia por escola, e dentre estas selecionarão as três primeiras colocadas.

Os prêmios serão entregues em evento aberto ao público, em Lajeado. No dia, será lançado um livro com a publicação da melhor poesia de cada escola. Os três alunos vencedores ganham, cada um, um notebook. Já as escolas dos estudantes premiados recebem uma máquina fotográfica digital.

Fique ligado nas datas do concurso

5 de junho – Abertura das inscrições para o concurso
31 de agosto – Término das inscrições para o concurso
15 de outubro – Publicação das poesias classificadas na edição impressa do caderno Meio Ambiente na Escola
26 de novembro – Evento de entrega dos prêmios do concurso com lançamento do livro.


Baixe agora o regulamento e a fixa de inscrições:

REGULAMENTO CONCURSO POESIAS 2012

Bruna Lovato
brunal@informativo.com.br

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Atitude sustentável: O lixo que vira luxo

14 de maio de 2012

A aposentada Lilia Ruwer consegue transformar muito do que vai ser jogado fora em arte. Itens criados por ela se misturam a objetos comprados e dão clima de exclusividade e aconchego aos cômodos de sua casa

Os sacos de lixo amontoados pelas ruas da cidade, terrenos com restos de construções e objetos e papéis que aparentemente não servem mais são entulhos desprezados pela maioria das pessoas. Mas a aposentada Lilia Ruwer, com seu olhar artístico, consegue tirar proveito daquilo que é colocado fora. A decoração da sua casa, no Bairro Americano, é quase toda feita de objetos encontrados no lixo.

O gosto estranho surgiu em 1993, quando ela começou a fazer e colocar enfeites na praça em frente da sua residência. Os materiais usados para fazer os artefatos eram coisas que seriam colocadas fora. Com o passar dos anos, o espaço de lazer ficou conhecido como a Praça do Papai Noel, e depois, Lilia começou a enfeitar o ambiente também na Páscoa.

E também na sua casa, a aposentada pensa em cada detalhe da decoração. É um verdadeiro museu. “Lixo para mim é luxo. É só saber transformar os objetos em algo criativo. Também tenho muitas coisas de gerações passadas que iriam para o lixão, mas as pego para mim”, fala.

Baldes antigos viram vasos de flores, tecidos de sombrinhas viram roupas para os bonecos da praça, escadas acabam como enfeites nas paredes e local para abrigar plantas, janelas antigas são pintadas e transformadas em porta-retratos, folhas secas de bananeira viram flores, tambor de máquina de lavar vira puff, enfim, tudo que Lilia vê na rua e chama a sua atenção, vira um objeto decorativo. “As pessoas já sabem que gosto de antiguidades e, antes de jogarem fora, perguntam se eu quero. Tem aqueles que quando passam por alguma lixeira e enxergam algo interessante, logo me comunicam”, fala.

Bruna Lovato
brunal@informativo.com.br

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Eletrônicos precisam de destino correto

14 de maio de 2012

Os avanços tecnológicos têm aumentado o número de lixo eletrônico em todo o mundo. O problema todo é que esses materiais possuem metais pesados que, em contato com a natureza, causam sérios danos, inclusive ao homem. O ideal é que cada pessoa se conscientize em dar o destino correto para lâmpadas, pilhas, celulares, baterias, computadores, impressoras, cabos e todos os componentes presentes nesses artefatos.

Em Lajeado, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) tem uma parceria com uma empresa recicladora que dá o destino certo aos materiais. “A secretaria é responsável em gerenciar e segregar resíduos de informática e telefonia pós-consumo. Faz o intermédio entre o munícipe e a empresa”, fala a coordenadora do Centro de Educação Ambiental, Tayrine Barboza Severo. Quem é preocupado com a natureza deve encaminhar o lixo para a Sema. “É grande a quantidade de materiais que recebemos, demonstrando que existem pessoas preocupadas com a destinação correta.”

Perigo

O coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Univates, Everaldo Ferreira, alerta para o descarte indevido do lixo eletrônico na natureza. Estes materiais possuem metais pesados, como mercúrio, chumbo, cádmio, entre outros, e caso entrem em contato com os recursos hídricos superficiais, que são rios, arroios e córregos, acumulam-se no sedimento argiloso depositado no fundo do leito desses locais.

Em ambientes aquáticos, algumas espécies de peixes se alimentam desse sedimento argiloso, acumulando os metais no seu organismo. “Posteriormente, quando o homem consome peixes contaminados, estes elementos químicos reúnem-se no organismo humano. Cabe ressaltar que a maioria dos metais pesados não é excretada pelo metabolismo humano, acumulando-se cada vez mais e afetando órgãos importantes, como o cérebro e o fígado.” Ainda lembra que os metais também podem ser absorvidos pelos seres humanos, diretamente pelo consumo de água contaminada. “E, ainda, por meio do consumo de vegetais contaminados, seja pela água utilizada para irrigação ou pelo solo poluído”, diz.


Exemplo da Certel

A Certel se preocupa com a destinação de qualquer tipo de resíduo para que não venha a impactar negativamente o meio ambiente. Especificamente no caso dos eletrônicos, são enviados a locais especializados que fazem a triagem da maioria dos componentes e, assim, os enviam a empresas responsáveis pela reciclagem ou reaproveitamento. Os materiais contaminados, como os tubos de imagens de monitores e algum outro componente perigoso, são encaminhados para descontaminação e também a aterros classe I, que são especiais para receber materiais perigosos. O lixo é enviado para duas empresas em Novo Hamburgo.


Bruna Lovato
brunal@informativo.com.br

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A importância ambiental e social da reciclagem

14 de maio de 2012

Nos dias de hoje, quando inovações tecnológicas ocorrem constantemente, a preocupação com o meio ambiente torna-se indispensável para que o produto destinado à venda venha a ser consumido de forma consciente.

Cada vez mais, não somente empresas, mas também as pessoas em si, estão se dando conta de que à medida que o consumo aumenta, consequentemente a quantidade de lixo produzido também acaba se elevando. A cada dia que passa, mais lixo é produzido, fazendo, assim, com que este se torne uma problemática não só local, mas também mundial.

O Brasil perde cerca de R$ 8 bilhões por ano por deixar de reciclar os resíduos que são destinados indevidamente aos aterros e lixões das cidades. Este foi o valor estimado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por encomenda do Ministério do Meio Ambiente.

A coleta seletiva encontra-se como peça-chave para que o processo de reciclagem evolua e ocorra de maneira ideal, já que uma vez separado o lixo, cooperativas, ou até mesmo o próprio município, realizam de forma correta e eficaz a destinação do material. Assim sendo, o resíduo tende a ser reaproveitado, aumentando de maneira significativa a vida útil dos aterros existentes.

Segundo o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), o volume de material reciclado passou de cinco milhões de toneladas, em 2003, para 7,1 milhões de toneladas, em 2008, o que corresponde a 13% dos resíduos gerados nas cidades. Se considerada apenas a fração seca (plástico, vidro, metais, papel e borracha), o índice de reaproveitamento subiu de 17%, em 2004, para 25%, em 2008. O retorno financeiro é visível: o setor já movimenta R$ 12 bilhões por ano.

Entre 2000 e 2008 houve um aumento de 120% no número de municípios com coleta seletiva, chegando a 994, sendo em sua maioria localizados nas regiões Sul e Sudeste do país. O número, embora importante, ainda não ultrapassa 18% ds cidades brasileiras.

Desta forma, basta que cada um de nós faça a sua parte, evitando, assim, que locais que poderiam ser utilizados para construções de áreas de lazer passem a ser destinados a imensos depósitos de lixo.

Para que as melhorias nessa área ocorram, a política dos 3Rs deve ser difundida e levada em consideração para que inicialmente as pessoas foquem a redução da quantidade de resíduos gerada, seguindo com a reutilização do material e, posteriormente, destinando à coleta seletiva de cada município.

Cabe ressaltar que é de extrema valia que repensemos os nossos hábitos de consumo, procurando, assim, optar por produtos ambientalmente corretos, contribuindo com um ecossistema mais saudável.

Entenda a diferença de lixão e aterro

Lixão: os resíduos coletados são depositados diretamente sobre o solo, sem nenhuma preparação prévia, havendo contaminação do lençol freático, maior poluição através dos gazes e consequente proliferação de doenças.

Aterro Sanitário: depositação de lixo é realizada de maneira adequada por meio de utilização de materiais impermeabilizantes. O tratamento dos gases gerados é controlado, e o chorume produzido é depositado em locais específicos para posterior manejo. Diariamente, uma camada de terra é despejada sobre o material, evitando a proliferação de animais e de doenças.

Entenda a diferença de lixão e aterro

Lixão: os resíduos coletados são depositados diretamente sobre o solo, sem nenhuma preparação prévia, havendo contaminação do lençol freático, maior poluição através dos gazes e consequente proliferação de doenças.


Aterro Sanitário:
depositação de lixo é realizada de maneira adequada por meio de utilização de materiais impermeabilizantes. O tratamento dos gases gerados é controlado, e o chorume produzido é depositado em locais específicos para posterior manejo. Diariamente, uma camada de terra é despejada sobre o material, evitando a proliferação de animais e de doenças.

Autores: professores da Univates
Franciele Dietrich e Keli Hepp

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Repórter de O Informativo vive realidade do dia a dia de um catador

14 de maio de 2012
O olhar de Terezinha busca, em cada canto, algo que faz mal ao meio ambiente

Para entender e tentar transmitir o que faz um catador, o Meio Ambiente na Escola “vestiu” a personagem da vida real. Acompanhado de Terezinha e mais três trabalhadoras, vivemos um dia de separar a riqueza daquilo que não serve mais. Sob olhares curiosos, o carreto puxamos. Opinamos sobre a melhor forma de acomodar a carga generosa no carrinho.

Na volta ao local de separação, a PET de refrigerante é separada da embalagem de óleo de soja. Vasilhames plásticos de produtos de limpeza vão para outro ponto. Papelões dobrados e plásticos separados por cor. Muito trabalho e uma cantiga para distrair. “Quando sobe, o carreto pesa. Quando desce, o carreto solta.”

Na sinfonia da estrada, comum é encontrar a comunidade dando força. “Olá meninas. Opa! Hoje tem um menino”, risos. Mesma comunidade que já entendeu o recado. Ajuda a separar o que se transforma e oferece como produto aos que se dedicam a classificá-lo profissionalmente. Ser catador por um dia desafia o mundo fora da associação. É frio, úmido e tem mau cheiro.

Suja as mãos, mas limpa a alma. Liberta de uma culpa de gerações passadas. Desde que o homem pensou que era evoluído e decidiu viver melhor, nas custas da natureza. Reciclar, no que diz Terezinha, é também limpar o corpo. Mesmo que, para isso, seja preciso sujar os sapatos.

Na volta para casa, uma pausa para a respiração. O peso da carga de quem trabalha às vezes até no fim de semana é aliviado com o descanso no barracão do estoque. É lá que a coleta é classificada. Cada produto vai para um canto, encontrar seus pares. Quem cansa muito, fica. Os outros voltam.

E o Santo Antônio está generoso, tem muito resíduo para recolher. Não dá para deixar para o dia seguinte. É nos bairros que a coleta acontece. No Centro, o acesso é restrito. Inclusive ao banheiro. O preconceito aparece. “Quando estamos no Centro, ou se corre para casa ou se segura até voltar à associação”, diz Terezinha.

Mais do que não separar o lixo. Muitos da cidade não gostam dos catadores. O pecado mortal deles: fazer da vida um motivo de sobrevivência e fazer da profissão a continuidade da vida na Terra. Simples assim. Ninguém deixa de ser catador por ter o “pipi” negado. O que eles querem é ganhar a vida e fazer o bem.


Rodrigo Nascimento
rodrigon@informativo.com.br

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Catador, Uma profissão invisível

14 de maio de 2012

Não é lixo, é resíduo. Essa primeira frase rasga a garganta ofegante de Terezinha Ferreira (53). Pela boca, escapa a resposta seca quando se pergunta com que produto ela trabalha.

Há 12 anos na função, ela viu no que todo mundo joga fora a oportunidade de ajudar a criar as filhas. Hoje motiva outros a fazerem o mesmo. E ajuda a criar os filhos de outrem também. Terezinha faz mágica no quintal da associação que preside. “Não há escolha, o que existe é a necessidade. Criar filhos e ajudar no sustento de uma família leva a pessoa a vários caminhos.”

A asma impede Terezinha de caminhar mais. No Bairro onde funciona a Associação Simón Bolívar, que faz parte do Movimento dos Trabalhadores Desempregados de Lajeado (MTD), todo mundo colabora. Coloca na calçada, em caixas, sacos e sacolas, o sumo do trabalho dos 30 associados: material de reciclagem. Eles pouco aparecem, mas a Terra sente sua grande presença.

São latas de alumínio, garrafas de refrigerante, papelão que se transforma em dinheiro no bolso dos catadores. Quando o galpão enche, vem o caminhão, pesa e paga tudo que eles cataram. Não muito mais que R$ 40 para cada membro, a cada três meses. Essa é a folha de pagamento dos recicladores. Não é mole viver de resíduo.

As sobras da humanidade pesam mais no planeta do que na balança da associação. “Querendo ou não, a gente se sente parte da natureza, porque em cada lugar por onde se passa, a gente junta um papel que está no chão. Somos todos, sim, responsáveis. Nós, um pouco mais, porque vivemos disso.”

O futuro pela coleta

Terezinha e seus apadrinhados enxergam com nitidez a importância de coletar e separar materiais para a reciclagem. Confundido como “lixo” pelo senso comum, o produto principal deles é o futuro do planeta. Essa lição ela aprendeu com a vida. A 8ª série incompleta lhe ofereceu o que todo mundo sabe, aprende e repete. Já a importância de preservar, essa veio da observação particular. É na rua que a vida acontece. E ela ensina. Transpira conhecimento. Aos mais jovens, transborda: “O futuro da humanidade está na nossa atividade. É preciso ter consciência disso”.

Nas estradas do bairro

Faça chuva, sol ou tempo nublado, lá está o pequeno exército comandado por Terezinha, recolhendo os resíduos deixados pela civilização. Histórias de superação, alegria e realização profissional andam lado a lado ao carreto. Ora puxando, ora empurrando.

Ninguém sai sozinho e volta sem nada. Numa puxada, um pouco mais, noutra, nem tanto. Os catadores fazem o trabalho de formiguinha limpando a Terra e levando para o ninho a riqueza do terceiro milênio.

Cada vez que o sol se levanta, desafia a trabalhadora a ajudar na tarefa de limpar o meio ambiente. Trabalho que inspira os mais jovens. O neto mais novo, aos 4 anos quer acompanhar Teresinha. Ela resiste. Lugar de criança é em casa. Quando tem idade, na escola. Ela gosta de encontrar ferro usado. Difícil de carregar, mas rentável na conta, o ferro é a esperança da Teresinha, que tem nome de santa.

Sem carteira de motorista, ela pilota o carreto. Desvia dos carros estacionados, dos que passam, dos cães e dos pedestres. “Todo mundo tem que fazer seu trabalho bem. Conosco não é diferente.” O gosto pela profissão de catador faz a resignação de operária de rua se reduzir no meio do asfalto. “Trabalho é trabalho. O nosso é bom também.”

A catadora Lurdes Pereira dos Santos começou juntando material de reciclagem com charrete. Desde muito cedo, semeava a preservação ambiental como a prática que faz bem ao bolso e à humanidade. Nascida e criada em Lajeado, ela ajuda a sustentar a família do filho surdo – excluído do mercado de trabalho. Lurdes sonha alto e realiza.

Com tudo o que tira da lixeira, ela mantém a casa e satisfaz pequenos sonhos. Pequenos para quem não tem alma grande. Pergunte a uma dona de casa qual a importância de uma máquina de lavar roupas. Em 2011, depois de muito juntar tudo, Lurdes comprou a sua lavadora.

Luiza, a mais idosa do grupo, é também a mais entusiasmada. Antes mesmo de colocar o carreto nos trilhos da coleta, ela já circulava com o chimarrão e questionava: “Quando é mesmo que a gente vai sair?”. Foi a hiperatividade que a levou ao galpão dos catadores. “O serviço aqui, mesmo sendo com resto de material, é limpo. Todo mundo gosta.” Nas subidas e decidas das ruas e vielas desvendadas a cada semana, não vê obstáculos. As pernas não doem. “Dói na consciência de quem não recicla.”


Rodrigo Nascimento
rodrigon@informativo.com.br

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